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Pinturas de 2 mil anos podem ter sangue humano

Pinturas de 2 mil anos podem ter sangue humano

Pesquisadores encontraram indícios de que pinturas rupestres com mais de 2 mil anos, localizadas no sul da China, podem ter sido feitas com uma mistura que incluía sangue humano e animal. A descoberta ocorreu após a identificação de proteínas associadas ao sangue em uma camada entre o calcário e o pigmento vermelho.

O estudo foi publicado em julho no Journal of Archaeological Science e analisou as obras do complexo de Zuojiang Huashan, na região de Guangxi. O local possui mais de 80 sítios de arte rupestre ao longo de cerca de 260 quilômetros e é Patrimônio Mundial da Unesco.

De acordo com os cientistas, a cor vermelha das pinturas era obtida principalmente de argila rica em hematita, um mineral à base de ferro. O sangue teria sido usado em uma camada intermediária, funcionando como aglutinante.

As análises mostraram três componentes principais: a parede de calcário, uma camada fina de preparação e o pigmento vermelho aplicado por cima. A camada do meio tinha carbonato de cálcio, fosfato de cálcio e proteínas compatíveis com sangue. A mistura pode ter ajudado a formar uma estrutura mineral compacta, mantendo as partículas de hematita presas à superfície.

A análise das proteínas indicou sinais de sangue humano e animal. Os autores levantaram a hipótese de que parte do sangue humano pudesse ser de mulheres durante o parto, por causa de práticas culturais e da importância da fertilidade entre os antigos Luoyue. Essa interpretação, porém, não passa de uma hipótese.

Os pesquisadores não conseguiram extrair DNA das amostras, então não é possível saber quem forneceu o sangue, o sexo da pessoa ou como o material foi obtido. A descoberta também pode ajudar a explicar por que as pinturas se preservaram por milhares de anos em uma região de clima quente, úmido e com chuvas fortes. A mistura usada pelos artistas pode ter contribuído para manter o pigmento aderido às paredes de calcário.

Sobre o autor: Nathan López Bezerra

Formado em Publicidade e Propaganda pela UFG, Nathan começou sua carreira como design freelancer e depois entrou em uma agência em Goiânia. Foi designer gráfico e um dos pensadores no uso de drones em filmagens no estado de Goiás. Hoje em dia, se dedica a dar consultorias para empresas que querem fortalecer seu marketing.

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