Um novo medicamento oral para diabetes tipo 2 mostrou resultados melhores que uma terapia comum. O orforglipron, da farmacêutica Eli Lilly, foi testado contra a dapagliflozina. O estudo clínico internacional, chamado ACHIEVE-2, foi publicado na revista The Lancet. A pesquisa incluiu pacientes dos Estados Unidos, China, México, Alemanha, Polônia e Taiwan.
A dapagliflozina é um inibidor de SGLT2, medicamento muito usado para diabetes tipo 2. Ela age fazendo os rins eliminarem o excesso de glicose pela urina. Já o orforglipron é um agonista do receptor de GLP-1. Ele estimula a produção de insulina, reduz o apetite e retarda o esvaziamento do estômago. Uma vantagem é que ele é tomado por via oral, uma vez ao dia, sem necessidade de jejum.
O estudo acompanhou 962 pessoas com diabetes tipo 2 que já usavam metformina, mas ainda tinham dificuldade para controlar o açúcar no sangue. Após 40 semanas, quem tomou orforglipron teve redução de até 1,7% na hemoglobina glicada. No grupo da dapagliflozina, a redução foi de 0,8%. Cerca de 80% dos pacientes tratados com o novo remédio atingiram níveis de hemoglobina glicada abaixo de 7%, considerado ideal para controle da doença.
O orforglipron também teve maior efeito na perda de peso. Os participantes perderam, em média, 7,3% do peso inicial. Quem usou dapagliflozina perdeu 3% em média. Os pesquisadores disseram que já esperavam um desempenho melhor dos agonistas de GLP-1, mas a magnitude dos resultados superou as expectativas. Porém, o estudo apontou mais efeitos gastrointestinais, como náuseas e desconfortos digestivos, entre os pacientes que usaram orforglipron. Isso levou a mais interrupções do tratamento.
O orforglipron ainda não tem registro na Anvisa e não pode ser vendido no Brasil. Nos Estados Unidos, a FDA autorizou o medicamento em abril de 2026, com o nome Foundayo, para tratar obesidade ou sobrepeso com comorbidades, sempre com mudanças no estilo de vida. A Anvisa alerta que medicamentos sem registro podem não ter garantias de qualidade, segurança ou eficácia. A agência recomenda usar apenas tratamentos aprovados no país, sob orientação médica.
Especialistas avaliam que a futura aprovação do orforglipron pode ampliar as opções para diabetes tipo 2. Até lá, a recomendação é que os pacientes conversem com seus médicos sobre os tratamentos disponíveis e autorizados no Brasil.

