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Pão francês todo dia faz mal? Especialista responde

Pão francês todo dia faz mal? Especialista responde

A médica nutróloga Isolda Prado, diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran) e professora de Nutrologia da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), respondeu a dúvidas comuns sobre o consumo diário de pão francês. Segundo a especialista, não é necessário classificar alimentos isoladamente como bons ou ruins. A quantidade consumida, a frequência, os acompanhamentos e o padrão alimentar como um todo são fatores mais importantes para avaliar o impacto de um alimento na saúde.

O pão francês pode fazer parte de uma alimentação equilibrada. Produzido com farinha de trigo, água, fermento e sal, ele não deve ser considerado automaticamente um alimento prejudicial. A principal diferença em relação aos pães integrais está na quantidade de fibras. Como o pão francês é feito tradicionalmente com farinha refinada, possui menos fibras do que as versões integrais.

A composição da refeição pode fazer diferença. Associar o pão a fontes de proteína, como ovos, queijo ou iogurte, e a alimentos ricos em fibras, como frutas e vegetais, pode tornar a refeição mais completa nutricionalmente. Para a maioria das pessoas, consumir dois pães franceses diariamente não é prejudicial por si só. A avaliação depende do restante da alimentação, do gasto energético, dos objetivos nutricionais e das condições de saúde de cada indivíduo.

O problema pode aparecer quando o consumo contribui para um excesso de calorias ou quando o pão passa a substituir com frequência alimentos importantes, como frutas, verduras, legumes e fontes adequadas de proteína. Para pessoas que precisam aumentar a ingestão de fibras ou controlar melhor a glicemia, pode ser interessante alternar o pão francês com versões integrais ou outras fontes de carboidratos.

Transformar o pão em torrada não faz com que ele se torne automaticamente mais saudável. A torrada é, em grande parte, um pão que passou por aquecimento e perdeu parte da água. O processo reduz a umidade, mas não transforma o alimento em uma opção menos calórica. A quantidade consumida continua sendo importante.

Não existe uma resposta única sobre cuscuz ou pão. Ambos podem fazer parte de uma alimentação equilibrada. O cuscuz de milharina é uma preparação à base de milho e pode apresentar pouca quantidade de fibras, dependendo do processamento e da marca. O pão francês também é predominantemente fonte de carboidratos e possui menos fibras quando feito com farinha refinada. Na prática, a composição da refeição pode ser mais importante do que escolher um alimento como melhor.

A pipoca também pode fazer parte de uma alimentação saudável e, em determinadas situações, ser consumida diariamente. Quando preparada com o grão inteiro, o milho preserva características de cereal integral e fornece fibras. O principal cuidado está no preparo. A pipoca feita em casa, com pouco óleo e sal, é diferente das versões industrializadas e das vendidas em cinemas, que podem apresentar quantidades elevadas de gordura, sódio e outros ingredientes. A quantidade também deve ser observada, já que a pipoca fornece calorias.

A retirada do glúten da alimentação não provoca doença celíaca. A doença celíaca é uma condição autoimune relacionada ao consumo de glúten em pessoas geneticamente predispostas. Pessoas que já retiraram o glúten e posteriormente precisam investigar uma possível doença celíaca podem ter exames alterados pela ausência de exposição ao glúten. A investigação deve ser conduzida com orientação médica. Também é importante diferenciar doença celíaca, alergia ao trigo e sensibilidade ao glúten não celíaca, que são condições distintas.

A perda de peso após retirar glúten e açúcar não significa necessariamente que esses alimentos sejam os únicos responsáveis pelo emagrecimento. A redução de peso pode estar relacionada à mudança geral do padrão alimentar, à diminuição do consumo de ultraprocessados, à redução da ingestão energética e à melhora da qualidade da alimentação. Raízes e tubérculos, como mandioca, batata, batata-doce, inhame e cará, também podem ser boas fontes de carboidratos quando consumidos em quantidades adequadas e dentro de uma alimentação variada.

As orientações reforçam que alimentos como pão francês, cuscuz e pipoca não precisam ser tratados como vilões da alimentação. Mais importante do que eliminar determinados produtos é observar quantidade, frequência, qualidade dos acompanhamentos e o conjunto da alimentação. O pão francês pode estar presente diariamente na dieta de algumas pessoas, desde que o consumo esteja adequado às necessidades individuais e faça parte de uma alimentação equilibrada.

Sobre o autor: Nathan López Bezerra

Formado em Publicidade e Propaganda pela UFG, Nathan começou sua carreira como design freelancer e depois entrou em uma agência em Goiânia. Foi designer gráfico e um dos pensadores no uso de drones em filmagens no estado de Goiás. Hoje em dia, se dedica a dar consultorias para empresas que querem fortalecer seu marketing.

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