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Miopia: o alerta para doenças oculares graves

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Miopia: o alerta para doenças oculares graves

Moradores que usam óculos ou têm filhos pequenos precisam ficar atentos: a miopia deixou de ser encarada apenas como um problema de grau. A condição, que atinge uma em cada três crianças e adolescentes no mundo, está ligada ao alongamento do globo ocular e aumenta o risco de doenças graves na idade adulta, como descolamento de retina, glaucoma e degeneração macular.

Segundo a oftalmologista Luisa Moreira Hopker, do Hospital de Olhos do Paraná, a miopia não é só uma questão de precisar de óculos. Ela afirmou que a condição eleva a propensão a problemas que podem levar à perda da visão com o envelhecimento. O alerta ganha força com os números: a prevalência global saltou de 24% em 1990 para 36% em 2023. A Organização Mundial da Saúde (OMS) projeta que, até 2050, metade da população mundial terá o diagnóstico.

O que explica o avanço? Especialistas apontam uma combinação de fatores. A genética continua tendo papel importante, mas o estilo de vida mudou. As crianças passam mais tempo em ambientes fechados, usam mais telas e ficam menos expostas à luz natural. A luz do sol estimula a retina de forma diferente da luz artificial, e esse desequilíbrio interfere no desenvolvimento do olho.

Diante desse cenário, a medicina mudou a abordagem. Em vez de apenas corrigir o grau, o foco agora é conter a progressão da miopia, principalmente na infância e na adolescência. Uma das novidades disponíveis no país é a lente Stellest 2.0, da EssilorLuxottica. O produto possui microesferas invisíveis que corrigem a visão e, ao mesmo tempo, reduzem o estímulo que faz o olho crescer além do normal. Estudos de até sete anos indicam que a lente desacelera o avanço do problema em 67%, em média.

A indicação é para crianças a partir dos 6 anos. Para ter efeito, elas precisam usar os óculos cerca de 12 horas por dia. A lente atua em dois frentes: corrige a dificuldade de enxergar de longe e corta o mecanismo que alonga o olho.

O médico Georges Caputo, chefe de Oftalmologia do Hospital Fundação Rothschild, em Paris, deu uma dimensão do risco. Ele explicou que uma pessoa sem miopia tem 1% de chance de ter descolamento de retina ao longo da vida. Com a condição, esse risco sobe para algo entre 30% e 35%.

Os altos míopes, aqueles com mais de 6 graus, formam o grupo de maior preocupação e correspondem a 10% das pessoas que usam óculos ou lentes. Para eles, o acompanhamento oftalmológico regular é ainda mais importante.

A recomendação dos especialistas é simples: levar as crianças ao oftalmologista cedo e incentivar atividades ao ar livre. A prevenção começa com a detecção precoce e com a mudança de hábitos que favorecem o aparecimento do problema.

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