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Lito Sousa tem doença cerebral degenerativa; entenda o mal

Por Redação
Lito Sousa tem doença cerebral degenerativa; entenda o mal

O influenciador Lito Sousa, conhecido pelo canal Aviões e Músicas, teve o diagnóstico de doença de Creutzfeld-Jakob (DCJ) confirmado. A informação foi divulgada pela esposa dele em vídeo publicado nesta sexta-feira (21). O quadro é neurodegenerativo, progressivo e sempre fatal.

Lito chegou ao diagnóstico após uma série de investigações de saúde. Em julho, ele já havia recebido a notícia de um câncer de próstata. Foi nesse período que começou a sentir problemas de movimento em um dos braços. O sintoma foi tratado inicialmente como uma inflamação no sistema nervoso central, mas exames complementares confirmaram a DCJ.

O que é a doença

O Ministério da Saúde define a DCJ como uma doença priônica humana rara, neurodegenerativa, progressiva e fatal. Os sintomas mais comuns afetam a movimentação e a cognição. No caso de Lito, o quadro começou com uma dormência no braço, mas outros pacientes podem apresentar primeiro sinais típicos de demência.

A doença é causada por príons, estruturas menores que um vírus, compostas apenas por proteína e sem material genético. Eles foram descobertos em 1982 pelo neurologista Stanley B. Prusiner, que ganhou o Nobel de Medicina pela descoberta. Em situações raras, os príons se dobram de forma anormal e induzem outras partículas a fazer o mesmo, acumulando-se no cérebro e comprometendo suas funções.

O diagnóstico em vida é desafiador. Não há exame específico que confirme a presença da doença sem uma biópsia cerebral. A análise de sintomas e exames de imagem, como eletroencefalograma e ressonância magnética, é usada para buscar sinais característicos da DCJ. Por isso, pacientes como Lito são tratados como casos prováveis. O diagnóstico definitivo só é feito após a morte, com a análise dos tecidos do cérebro.

Tratamento e letalidade

Não há cura para a doença. O tratamento busca aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. A letalidade se aproxima de 90% em até um ano do aparecimento dos sintomas.

A fama da vaca louca

A DCJ ficou mundialmente conhecida nos anos 1990, quando casos análogos foram identificados no gado bovino. A condição nos animais, chamada de encefalopatia espongiforme bovina, rendeu à doença o apelido de vaca louca. Na época, ações de vigilância epidemiológica foram adotadas para impedir que a carne desses animais chegasse ao mercado, já que os príons são resistentes e não são destruídos pelos processos habituais de eliminação de vírus e bactérias.

A fama, porém, criou uma percepção equivocada. Casos humanos relacionados à carne bovina são extremamente raros. Estima-se que 85% dos casos em humanos sejam esporádicos, sem explicação óbvia. Quase 15% têm relação com mutação hereditária. Menos de 1% estão ligados ao contato com tecidos contaminados, geralmente em procedimentos médicos em outros seres humanos, a chamada forma iatrogênica.

A versão bovina é conhecida como variante Creutzfeld-Jakob, ou vDCJ. Desde o início da vigilância epidemiológica no Brasil, em 2005, nenhum caso foi identificado no país. No mundo, há menos de 250 casos documentados de vDCJ desde a descoberta da vaca louca, a maioria no Reino Unido.

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