Etip: complicação tardia do preenchimento facial

Quem fez preenchimento com ácido hialurônico precisa ficar atento a uma reação adversa que pode aparecer meses ou até anos depois do procedimento. É o Edema Tardio Inflamatório Persistente, o Etip, que causa inchaço na região tratada.
O problema ganhou destaque depois do relato da médica ginecologista Lilian Correa, que teve a complicação. O quadro não provoca nódulos ou caroços, mas deixa a área do rosto elevada, pesada e com a pele mais firme ao toque.
O nome Etip foi criado em 2017, em um artigo assinado por médicas brasileiras. A intenção foi dar nome a um padrão específico de reação tardia ao ácido hialurônico para facilitar o reconhecimento clínico e a comunicação entre profissionais, conforme explicou a médica radiologista Fernanda Cavallieri, primeira autora do estudo e membro da Comissão Nacional de Ultrassonografia do Colégio Brasileiro de Radiologia.
O inchaço pode surgir em qualquer área que recebeu o produto. No estudo conduzido pelas brasileiras, os locais mais afetados foram abaixo dos olhos, nas maçãs do rosto e no chamado bigode chinês, que é o sulco nasogeniano. A aparência é de rosto inchado, como ao acordar ou depois de chorar, mas restrita ao local do preenchimento.
O que desencadeia o Etip são reações inflamatórias comuns do dia a dia. Tomar vacina, ter infecções como gripe, sinusite, infecção urinária ou dente infeccionado, e até pequenos traumas faciais podem ativar o sistema de defesa do organismo. Nesse estado de alerta, o corpo pode tratar o ácido hialurônico como um corpo estranho e gerar o inchaço.
A vacinação já era apontada como gatilho antes da pandemia de covid-19, segundo Cavallieri. Com as campanhas de imunização em larga escala, o fenômeno passou a ser observado com mais frequência. Qualquer imunizante pode provocar a reação, e nem toda pessoa desenvolve o problema, que depende de uma tendência individual.
O edema não causa danos à saúde além do incômodo estético. Não existe um protocolo padrão para o tratamento. A primeira opção costuma ser anti-inflamatórios comuns. Se não houver resultado, o médico pode indicar corticoides.
Outra alternativa é retirar o ácido hialurônico com hialuronidase, principalmente se o paciente se incomoda com o inchaço. A condução do caso é individualizada, de acordo com a avaliação de cada profissional e as necessidades do paciente, disse a médica dermatologista Gabriela Munhoz, que também assina o estudo sobre o Etip.
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