Ômega-3 em cápsulas? Estudo questiona benefício cerebral

Um estudo publicado na revista eBioMedicine, do grupo The Lancet, coloca em dúvida a eficácia da suplementação de ômega-3 em cápsulas para a saúde do cérebro. A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade do Sul da Califórnia, nos EUA, acompanhou mais de 700 idosos sem demência e com baixo consumo do nutriente por um período de dois anos.
Durante o monitoramento, os pesquisadores observaram que as altas doses de DHA, um tipo de ômega-3 presente em peixes gordurosos, aumentaram os níveis da substância no sistema nervoso. No entanto, esse aumento não se traduziu em melhorias na cognição dos participantes. O resultado contraria a fama do nutriente, que é considerado essencial para os neurônios.
Para os autores do trabalho, o principal desafio agora é entender como o cérebro metaboliza esse nutriente. A pesquisa também levanta questionamentos sobre a diferença de eficácia entre o DHA obtido pelo consumo de peixes e aquele ingerido por meio de cápsulas, já que a versão vinda da alimentação parece ser mais consistente.
O mesmo padrão já foi observado na saúde cardiovascular. Apesar de o ômega-3 da dieta ser visto como um protetor do coração, estudos não demonstraram benefícios da suplementação na prevenção de doenças cardíacas. Por isso, a Sociedade Brasileira de Cardiologia não recomenda o uso das cápsulas com esse objetivo.
Para quem busca o nutriente na alimentação, as principais fontes são sardinha, salmão, atum, cavalinha, arenque, algas marinhas e microalgas. Também é possível encontrá-lo em alimentos de origem vegetal, como soja e sementes de chia e linhaça.
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