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Endometriose: avanços e o que falta aos pacientes

Por Redação
Endometriose: avanços e o que falta aos pacientes

Moradores da cidade que convivem com dores pélvicas e menstruais intensas ainda enfrentam uma espera que pode chegar a anos até receber o diagnóstico de endometriose. A informação é do ginecologista Sérgio Podgaec, professor da Faculdade de Medicina da USP e presidente da Sociedade Brasileira de Endometriose e Cirurgia Minimamente Invasiva (SBE). Segundo ele, a demora é um dos principais desafios no tratamento da doença, que atinge cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva no Brasil.

De acordo com o médico, a endometriose é uma doença inflamatória crônica e dependente do hormônio estrogênio. O tecido semelhante ao endométrio se implanta fora do útero, provocando inflamação, aderências e distorção da anatomia. Os sintomas mais comuns incluem dor menstrual intensa e progressiva, dor pélvica fora do período menstrual, desconforto durante as relações sexuais, sintomas intestinais e urinários que pioram na menstruação e dificuldade para engravidar.

O especialista destaca que o intervalo entre os primeiros sintomas e a confirmação da doença é alimentado pela naturalização da dor feminina e pela falta de suspeita clínica. Embora a ressonância magnética e o ultrassom transvaginal com preparo já permitam identificar a endometriose com precisão, esses recursos ainda estão mal distribuídos entre as regiões do país.

Tratamento e cirurgia

No tratamento, não existe conduta única. Cada mulher exige uma decisão individualizada, que leve em conta os sintomas, o desejo de ter filhos, a extensão da doença e a qualidade de vida. O manejo clínico e hormonal responde bem a muitos casos. Quando a cirurgia é indicada, ela deve ser minimamente invasiva, capaz de preservar função e fertilidade.

Podgaec afirma que a videolaparoscopia e a cirurgia robótica ampliaram a capacidade de operar com segurança em áreas delicadas da pelve. A preservação dos nervos pélvicos melhorou os resultados urinários, intestinais e sexuais. Ainda assim, o médico defende que nem toda tecnologia agrega valor e que o excesso de intervenção também é um erro.

Congresso em São Paulo

Esses temas foram discutidos no 10º Congresso Brasileiro de Cirurgia Ginecológica Minimamente Invasiva e Endometriose, realizado neste mês em São Paulo. O evento reuniu nomes nacionais e internacionais para debater endometriose profunda e intestinal, diagnóstico por imagem, histeroscopia moderna e os limites da cirurgia robótica. Uma mesa foi dedicada ao tratamento multidisciplinar, com participação de nutrição, fisioterapia pélvica, manejo da dor e saúde mental.

Uma sessão foi reservada ao uso da inteligência artificial na cirurgia minimamente invasiva, do consultório ao pós-operatório. Segundo o ginecologista, a discussão foi feita com senso crítico, perguntando o que a IA de fato entrega e o que ainda é promessa.

O médico defende que o próximo passo é investir na formação de cirurgiões e radiologistas capazes de reconhecer a doença em suas formas mais sutis. Para ele, a melhor tecnologia se torna inútil sem olhos treinados para interpretá-la. Também é necessária uma mudança cultural para que a dor da mulher mereça investigação, e não resignação.

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