Café: 3 benefícios surpreendentes para a saúde, segundo a ciência

O café, companheiro de tantas manhãs e pausas no trabalho, ganhou um novo status na ciência. Pesquisas recentes indicam que o consumo moderado da bebida pode trazer benefícios para o coração, o fígado e o cérebro, deixando para trás a fama de vilão que o acompanhou por décadas.
Antes da primeira reunião, da aula ou do treino, o ritual de passar um café fresco é um hábito que atravessa gerações. No mundo todo, mais de 2 bilhões de xícaras são consumidas diariamente. Durante muito tempo, a bebida dividiu opiniões, mas agora é um dos alimentos mais estudados pela nutrição. O foco das pesquisas saiu da cafeína e se voltou para os mais de mil compostos bioativos presentes no grão, muitos com ação antioxidante.
Estudos relacionam a ingestão regular de café a um menor risco de problemas cardiovasculares, diabetes tipo 2, gordura no fígado, alguns tipos de câncer e doenças neurodegenerativas. Uma revisão publicada pela Associação Americana do Coração (AHA) concluiu que o consumo de três a cinco xícaras ao dia é seguro e está associado a um menor risco de doenças cardíacas. Segundo o médico Sergio Francisco, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular (SBCCV), o documento derruba mitos e não é mais preciso pedir que o paciente pare de tomar café.
Outra pesquisa, publicada na revista Clinical Gastroenterology and Hepatology, analisou dados de quase 355 mil britânicos e constatou que quanto maior a ingestão de café, menor o risco de problemas sérios no fígado, como a esteatose hepática. O hepatologista Raymundo Paraná, professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), afirma que recomenda café aos pacientes há muito tempo.
Do banco dos réus à inocência
A reputação do café teve altos e baixos na história. Entre os séculos 16 e 18, ele enfrentou resistência moral e religiosa. No século 19, o cultivo do cafeeiro elevou o Brasil ao status de maior produtor global. Mas foi no século passado que a bebida virou suspeita: conforme a mortalidade por doenças do coração aumentava, especialistas culpavam o café por arritmias, hipertensão e úlcera.
Com o tempo, os estudos mostraram que o café foi vítima de uma injustiça. Entre os anos 1950 e 1990, os maiores consumidores da bebida tinham jornadas de trabalho intensas, estresse elevado e alimentação ruim. A associação que mais prejudicou a reputação do café foi o alto consumo entre tabagistas. Substâncias da fumaça do cigarro aceleram a degradação da cafeína, fazendo com que fumantes precisem de mais café para obter o mesmo efeito. O risco de infarto e câncer era do tabaco, mas a culpa acabou indo para a conta da bebida.
Em 1991, a IARC, agência de pesquisas em câncer da Organização Mundial da Saúde (OMS), classificou o café como possivelmente carcinogênico. Décadas depois, com a evolução da epidemiologia, o café foi inocentado. Um marco foi um estudo publicado no The New England Journal of Medicine em 2012, que acompanhou mais de 400 mil pessoas e mostrou que, no passado, o café era associado a um estilo de vida menos saudável, e não a um risco real para a saúde.
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